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Valoriza Cachaça: iniciativa tem foco na tradição, qualidade e formalização na região de Passo Fundo

A produção de cachaça artesanal é uma atividade importante em diversos municípios da região administrativa da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo. De acordo com um levantamento realizado pela Instituição, mais de 70 famílias estão envolvidas direta ou indiretamente com a produção artesanal de cachaça nos 42 municípios de abrangência. O trabalho integra o projeto Valoriza Cachaça, que busca conhecer a realidade do setor, incentivar a melhoria da qualidade dos produtos e estimular a formalização dos empreendimentos.

“Embora o número de produtores tenha diminuído ao longo dos anos, a atividade ainda envolve dezenas de famílias e ganha novo impulso por meio de ações voltadas à qualificação e valorização do setor”, avalia o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Vilmar Wruch Leitzke. Ele explica que a região possui condições favoráveis para o cultivo da cana-de-açúcar, graças às características de clima, solo e relevo. Historicamente, já contou com um número ainda maior de produtores e essa tradição se reflete na fabricação de derivados da cana, especialmente a cachaça artesanal produzida em alambique. “A cachaça é um produto essencialmente brasileiro, faz parte da nossa cultura e da identidade das comunidades rurais”, complementa.

Tecnologia amplia produtividade

Mesmo sem a necessidade de expansão das áreas cultivadas, avanços tecnológicos têm permitido ganhos significativos de produtividade. Pesquisas desenvolvidas por instituições como a Embrapa e a Epagri vêm disponibilizando variedades mais adaptadas à realidade regional, com potencial de produção superior a 100 toneladas de cana por hectare.

Além dos materiais genéticos mais produtivos, técnicas modernas de manejo também contribuem para o aumento da produção e da qualidade da matéria-prima destinada aos alambiques.

Levantamento identifica potencial do setor

O diagnóstico realizado pela Emater/RS-Ascar contemplou os 42 municípios da área de abrangência do projeto. O levantamento reuniu informações sobre volume de produção, tipos de alambique utilizados, processos de envelhecimento, além de ter incluído a produção de graspa, outro destilado tradicional, mas derivado da casca da uva.

Os dados indicam um setor com potencial econômico e cultural relevante para a região, que atualmente conta com apenas dois alambiques com formalização completa junto aos órgãos competentes. No entanto, muitos produtores mantêm a fabricação para consumo próprio, familiar ou comunitário, prática permitida desde que o produto não seja comercializado.

Qualidade e consumo consciente

Um dos principais objetivos do projeto, que conta com o apoio da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), do Instituto Federal Farroupilha – Campus Jaguari e das prefeituras, é promover a produção de bebidas de qualidade, respeitando padrões sanitários e técnicos. A iniciativa também chama a atenção para a importância do consumo consciente.

O grupo técnico do projeto destaca que a discussão não se limita ao aspecto econômico. A preocupação está em garantir que os consumidores tenham acesso a produtos seguros e de boa procedência, enquanto os produtores recebem orientação para melhorar seus processos e, quando possível, ingressar no mercado formal.

Apesar do potencial identificado, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão a escassez de mão de obra no meio rural, a necessidade de ampliar a produtividade, o acesso a materiais genéticos mais eficientes e a busca por produtos diferenciados para atender às exigências do mercado. Mesmo diante dessas dificuldades, a aceitação do projeto tem sido positiva entre agricultores, técnicos e instituições parceiras. “A expectativa é que o trabalho contribua para fortalecer a cadeia produtiva da cachaça artesanal, preservar uma tradição histórica da região e abrir novas oportunidades de geração de renda para as famílias rurais”, explica Leitzke.

Mostra Regional Valoriza Cachaça

Já tem data e local a 1ª Mostra Regional Valoriza Cachaça, será no dia 21 de novembro, no município de Camargo. Nos mesmos moldes que ocorrem as Mostras de Vinhos Artesanais, que neste ano completa 20 anos, será feita a Mostra da Cachaça. Com avaliações de juris técnico e popular, os objetivos da Mostra são reconhecer e divulgar os produtos elaborados pela agricultura familiar e dar visibilidade em relação à qualidade do produto, refletindo também em benefícios para os participantes, para os agricultores que produzem a cachaça, que têm um retorno em relação a conquistar a qualidade do seu produto.

“Além de fazermos esse trabalho dentro da propriedade, visando a qualificação da produção, também queremos dar visibilidade, queremos que os nossos produtores de cachaça tenham uma oportunidade de comparar o seu produto com os demais”, esclarece Vilmar.

Os produtores interessados podem procurar os escritórios municipais da Emater/RS-Ascar. Os extensionistas rurais vão visitar a produção e coletar amostras das cachaças, que serão encaminhadas para o laboratório. Em novembro, um grupo de degustadores, divididos entre técnico e popular, fará a avaliação. “Não é um concurso, não queremos eleger a melhor cachaça. Queremos que os consumidores conheçam a qualidades das cachaças produzidas na região, com as características de um produto regional, e que os produtores possam qualificar seus produtos”, conclui. Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar – Regional de Passo Fundo

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