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Neurologista Dr. Diego Dozza – Fibromialgia: existe solução?

A fibromialgia é uma condição de dor crônica que costuma causar dor difusa pelo corpo, além de fadiga, sono ruim, sensação de rigidez, dificuldade de concentração e, em alguns casos, formigamentos e outros sintomas físicos.

Apesar de ser comum ouvir alguém dizer que “tem fibromialgia”, o diagnóstico não deve ser feito de forma apressada. Isso porque outros problemas de saúde também podem provocar dores espalhadas, cansaço e mal-estar. Entre eles estão doenças reumatológicas, distúrbios do sono, alterações hormonais, dor miofascial e outras condições clínicas que precisam ser avaliadas por um profissional habilitado. Em algumas pessoas, a fibromialgia ainda pode coexistir com outras doenças, o que torna a avaliação mais complexa.

Hoje, entende-se que a fibromialgia não é uma inflamação dos músculos nem uma doença imaginária. O problema parece estar ligado a uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso, com aumento da sensibilidade dolorosa. Em outras palavras, o organismo passa a reagir de forma exagerada a estímulos que, em outras pessoas, seriam mais bem tolerados. Também é comum haver associação com sono não reparador, ansiedade, depressão e outros sintomas que podem piorar o quadro, embora isso não signifique que a dor seja “psicológica”.

O tratamento costuma ser longo e precisa ser individualizado. Não existe uma cura rápida nem um método único que resolva todos os casos. Em geral, as medidas com melhor respaldo incluem informação adequada sobre a doença, melhora da qualidade do sono, atividade física gradual, acompanhamento psicológico quando indicado e, em alguns casos, medicamentos para controle de sintomas específicos. Quando há sofrimento emocional importante, a abordagem psicológica, incluindo a terapia cognitivo-comportamental, pode ajudar no enfrentamento da dor e na melhora funcional.

Entre todas as medidas, a atividade física regular tem papel central. Isso não significa forçar o corpo sem critério. Na prática, muitas pessoas pioram no início quando começam a se exercitar acima do que conseguem tolerar. Por isso, o mais sensato é adotar uma progressão lenta, com metas realistas e respeitando os limites do paciente. Caminhada, bicicleta ergométrica, exercícios aquáticos, fortalecimento leve, yoga e tai chi podem ser úteis, desde que adaptados à condição de cada pessoa e, de preferência, orientados por profissional capacitado.

Também é importante deixar claro que nem todo tratamento anunciado para dor serve para fibromialgia. Procedimentos invasivos, infiltrações, bloqueios e terapias biológicas não fazem parte do tratamento padrão da fibromialgia como síndrome dolorosa generalizada. Em situações específicas, alguns recursos podem ser considerados quando existe outra fonte de dor associada, mas isso é diferente de tratar a fibromialgia em si. O paciente deve desconfiar de promessas de solução rápida ou definitiva.

A boa notícia é que há tratamento e muitas pessoas conseguem melhorar de forma significativa ao longo do tempo. A má notícia é que isso normalmente exige persistência, ajustes progressivos e acompanhamento adequado. O foco realista não é “milagre”, mas sim reduzir a dor, recuperar função, dormir melhor e retomar a qualidade de vida.

Neurologista Dr. Diego Dozza

Local de atendimento:

Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990

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