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AUDADE OU SAUDOSISMO?

Gilberto Jasper
Jornalista/[email protected]

Saudade e saudosismo. Nunca sei exatamente a diferença entre estes dois termos. Por isso, apelei à inteligência artificial, filha mais nova do “Tio Google”, que revelou o seguinte:
“Saudade: É a lembrança afetiva, o sentimento que surge ao recordar momentos, lugares ou pessoas queridas. A saudade é vis-ta como um sentimento de passagem. Ela permite reviver o passa-do com carinho enquanto se continua a viver o presente. 

Saudosismo: É quando o passado passa a ser o foco principal de existência. O saudosista costuma achar que “o passado sempre foi melhor” e sofre por não conseguir revivê-lo, o que muitas vezes causa insatisfação com o momento atual”.
Como sexagenário assumido, confesso um certo sentimento de confusão diante destes conceitos. Já contei a vocês que nos úl-timos anos tenho me ocupado com a tarefa de reencontrar antigos afetos, restabelecer amizade e reaquecer parcerias que se perde-ram ao longo destes 66 anos. Tem sido uma busca que mescla alegrias com profundas tristezas, diante da situação de saúde de velhos companheiros.
É raro passar um mês sem que seja convocado a participar de vaquinhas – hoje chamadas “vakinhas” – para participar de verda-deiros mutirões de arrecadação. Quase sempre esses esforços vi-sam contribuir no custeio de tratamentos de saúde, a partir de inicia-tivas propostas por familiares – quase sempre filhos ou netos dos meus conhecidos.
Estas ocasiões levam quase sempre a reflexões sobre os cui-dados com a saúde, a preocupação com o futuro – que na flor da idade sequer passa pela nossa cabeça – , a falta de assistência à velhice e os desafios das famílias diante de seus descendentes mais antigos.
A longevidade tem sido um dos orgulhos da medicina atual e principalmente para nós, gaúchos, que ostentamos índices impres-sionantes neste quesito. Veranópolis, na Serra gaúcha, é a Capital Brasileira da Longevidade, mas os desafios decorrentes desta mo-derna tendência exigem adaptações que nem todas as famílias conseguem atender.
Tenho, sim, saudade de muitas coisas “dos velhos tempos”, mas convivo sem revanchismo com as novidades, por exemplo, da tecnologia. Tudo, é claro, com a devida parcimônia. O bom senso, sempre, está no equilíbrio, jamais nos extremos. Cada tempo tem suas benesses e obsoletismos.

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