Uso de substância proibida em clínica estética de SC teria deformado rostos e necrosado bocas de clientes
Uma clínica de estética localizada em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, é alvo de processo judicial movido por supostas irregularidades cometidas contra ao menos seis clientes.
De acordo com denúncia encaminhada ao ND Mais, intervenções estéticas invasivas eram executadas com materiais inadequados e sem respaldo técnico, colocando em risco severo a integridade física das pacientes.
Em ocorrência formalizada em 2020, uma das vítimas relatou que um procedimento realizado em 2019 nos lábios resultou em endurecimento do tecido. Após uma tentativa de correção feita pela esteticista, o quadro clínico se agravou, provocando o desmaio da cliente.
Na ocasião, a mulher precisou buscar auxílio de um cirurgião-dentista para a remoção do material. O profissional requisitou a identificação exata do composto injetado, mas a esteticista se recusou a fornecer os dados.
Conforme o registro policial, constatou-se que a mulher não possuía formação habilitação legal para atos invasivos, atuando formalmente apenas como designer de sobrancelhas.
Laudo aponta PMMA e vítimas relatam complicações após atendimento em clínica estética
Outra paciente, que preferiu ser identificada apenas pelas iniciais V. F., relatou à reportagem que seu atendimento ocorreu por volta de 2022. Ela afirmou que a profissional se apresentou como biomédica e garantiu que utilizaria ácido hialurônico na aplicação labial.
Após o procedimento, motivado pela fama da esteticista, a cliente apresentou endurecimento do tecido, comprometimento da circulação sanguínea na boca e necrose na região da boca.
Segundo a vítima, ao tentar contato com o estabelecimento em busca de suporte médico, a esteticista não prestou assistência e a bloqueou nos canais de comunicação.
Com o agravamento do quadro e o risco de perder parte da boca, a paciente precisou se submeter a três procedimentos cirúrgicos para a retirada do produto, sendo dois deles conduzidos pelo Dr. Raulino Brasil, especialista em reconstrução bucomaxilofacial.
O material extraído foi submetido a exame anatomopatológico, e o laudo laboratorial atestou a presença de PMMA (polimetilmetacrilato), em contraste com o ácido hialurônico prometido na consulta inicial.
O PMMA é um polímero sintético em gel com aplicações médicas restritas e específicas. Seu uso para fins estéticos e preenchimentos em grandes volumes é amplamente contraindicado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e vedado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) devido ao alto potencial de complicações crônicas e danos permanentes.
Diante do sumiço da responsável e da identificação de outros casos similares, novas ocorrências foram registradas e uma ação judicial foi aberta contra a clínica. V. F. afirma que o processo está em andamento, mas sem solução até o momento.
(Foto:Mulheres dizem ter sido vítimas de clínica estética em Criciúma / Reprodução/ND Mais
Reportagem: ND Mais/SC