• 20 de abril de 2024

REPENSAR O FUTURO

 REPENSAR O FUTURO

Gilberto Jasper

Jornalista/[email protected]

                Não me lembro da última vez que tinha gozado férias. Por obrigação legal fiquei 15 dias “de molho” no litoral gaúcho, em Capão da Canoa. Foi um período de certo ostracismo. As ruas estavam movimentadas, mas nem de longe lembravam o feriado de 2 de novembro ou o período de Carnaval que só rivaliza com o réveillon.

                De segunda a sexta-feira, os frequentadores eram majoritariamente pessoas da minha faixa etária, ou seja, acima dos 60 anos. Apenas no final de semana havia jovens, som mais alto e maior agitação nos bares do centro que ofereciam música ao vivo.

                Toda a minha infância e parte da adolescência de veraneio em Tramandaí, onde o meu avô materno mantinha um imenso chalé com diversos quartos. Era o ponto de encontro, entre janeiro e março, onde se encontravam primos, tios, avós e agregados que  formavam a “galera do verão”.

                Ao contrário de muitos gaúchos, sou apreciador do nosso litoral. Passei algumas temporadas em Santa Catarina, com suas praias paradisíacas e paisagens de tirar o fôlego. A comparação, sei bem, é injusta, mas não sou daqueles que só aponta defeitos em nossos balneários.

                Durante todo o meu período de folga, apenas um dia “não deu praia”, com chuva torrencial. De resto, mar calmo, águas claras e, se não estavam quentinhas, também não ostentavam aquele gelo. Não vi o “chocolatão” que virou folclore quando o assunto é veraneio em areias gaudérias.

                Capão da Canoa é uma cidade que ostenta vida própria, dotada de boa infraestrutura com segurança, hospital, shoppings, comércio de rua diversificado e diversos hotéis e restaurantes perenes. Impressiona a quantidade de imobiliárias. Soube, através de um profissional da área, que existem mais de cem estabelecimentos do ramo, além de 2 mil corretores habilitados, sem falar dos clandestinos.

                Apesar do período de descanso, transferi a assinatura dos três jornais diários de Porto Alegre, além de zapear nos sites de notícias. Um jornalista não pode, durante duas semanas, ficar completamente alheio ao mundo.

                Voltei à ativa, mas ainda este mês a legislação me obrigará a gozar de um novo período de “folga forçada”. Apesar da minha eterna ansiedade e inquietude, confesso que gostei do ócio. Isso me fez repensar o futuro.

RS Norte

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