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Dra. Emanuela Meneghini: A saúde da mulher trabalhadora: entre a força e o esgotamento

A mulher contemporânea ocupa múltiplos espaços — no trabalho, na família e na sociedade. Essa presença, que representa conquista e autonomia, também vem acompanhada de uma sobrecarga silenciosa. A chamada “dupla jornada” (ou até tripla) é realidade para muitas brasileiras e impacta diretamente sua saúde física e mental.

Na prática clínica, especialmente na atenção primária, é frequente o atendimento de mulheres que chegam já no limite: dores no corpo, cansaço persistente, dificuldade para dormir, ansiedade e alterações de humor. Muitas relatam que não têm tempo para si mesmas. E, muitas vezes, esses sintomas são banalizados — pela própria paciente ou até pelo meio social — como se fossem “parte da vida”.

Mas não são.

O estresse crônico pode desencadear ou agravar diversas condições, como transtornos ansiosos, depressão, síndrome de burnout e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (como dores lombares e lesões por esforço repetitivo). Além disso, o impacto hormonal do estresse também pode interferir no ciclo menstrual, na libido e na qualidade de vida.

Outro ponto de atenção é o autocuidado negligenciado. Muitas mulheres adiam consultas, exames preventivos e tratamentos por falta de tempo ou por priorizarem outras demandas. Esse adiamento pode resultar em diagnósticos tardios de doenças que, se identificadas precocemente, teriam melhor evolução.

Cuidar da saúde da mulher trabalhadora exige um olhar integral. Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de compreender o contexto em que essa mulher está inserida — suas condições de trabalho, sua rede de apoio e suas vivências diárias.

Do ponto de vista da saúde pública, é fundamental reforçar a importância do acesso aos serviços de saúde, da escuta qualificada e do acolhimento. A mulher precisa ser vista em sua totalidade, com respeito às suas demandas e limitações.

Valorizar pausas, reconhecer sinais de exaustão e buscar ajuda não são sinais de fraqueza — são atitudes de cuidado e responsabilidade consigo mesma.

A saúde da mulher não pode ser deixada para depois. Afinal, cuidar de quem cuida de tudo e de todos é também uma prioridade.

Dra. Emanuela Meneghini

Médica – Atenção Primária à Saúde, Pós graduada em Medicina da Família e Comunidade e Pós graduanda em Medicina do Trabalho.

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