Neurologista Dr. Diego Dozza : Dor lombar: quando é comum e quando exige atenção
A dor lombar é aquela sentida entre a parte inferior das costelas e a região das nádegas. Às vezes fica só nas costas; em outras, pode descer para uma das pernas. É uma queixa muito comum e, na maioria das vezes, não está ligada a uma doença grave. Mesmo assim, não convém tratar toda dor nas costas como se fosse igual, porque o modo como ela começa, o local em que aparece e os sintomas que vêm junto ajudam a entender o que pode estar acontecendo.
Muitas lombalgias surgem depois de esforço, postura mantida por muito tempo, levantamento de peso ou movimento brusco. Nesses casos, pode haver rigidez, sensação de peso, pontada e espasmo muscular. A dor costuma ficar na região lombar, mas também pode alcançar a nádega ou a parte de trás da coxa. Quando não há perda de força, alteração da sensibilidade ou mudança dos reflexos, a possibilidade de comprometimento importante de um nervo fica menor.
O disco intervertebral também pode participar da dor. É comum a pessoa piorar ao ficar sentada por muito tempo ou ao inclinar o tronco para a frente. Isso, porém, não quer dizer automaticamente que exista uma hérnia comprimindo um nervo. Dor do disco, hérnia de disco e radiculopatia são situações diferentes. Uma hérnia pode aparecer na ressonância e não causar sintoma algum, enquanto uma pessoa pode ter dor forte sem apresentar uma alteração impressionante no exame de imagem.
Outras estruturas também podem doer. As pequenas articulações posteriores da coluna, chamadas facetas, costumam provocar desconforto mais ao lado da coluna, por vezes com dor na nádega, no quadril ou na parte alta da coxa. A articulação sacroilíaca, que liga o sacro à pelve, geralmente causa dor posterior e glútea, muitas vezes de um lado só. Nenhum teste isolado confirma essas causas. O que vale é o conjunto da história, da localização da dor e do exame físico.
Quando a dor desce pela perna acompanhada de formigamento, perda de sensibilidade, redução de força ou alteração dos reflexos, pode haver irritação de uma raiz nervosa. Nesse caso, o diagnóstico fica mais seguro quando o trajeto da dor, o exame neurológico e os achados da imagem, se ela for necessária, apontam para o mesmo local. Sentir apenas um repuxamento atrás da coxa durante um alongamento não significa, por si só, que o nervo ciático esteja comprimido.
A ressonância é um exame importante, mas não conta a história inteira. Desgaste dos discos, protrusões e artrose são achados frequentes mesmo em pessoas sem dor, principalmente com o passar dos anos. Por isso, nem toda lombalgia precisa de imagem logo no início. O exame é mais útil quando há suspeita de fratura, infecção, tumor, comprometimento neurológico importante ou quando a evolução não acontece como esperado.
Alguns sinais pedem avaliação médica rápida: dor depois de um trauma importante, febre, perda de peso sem explicação, histórico de câncer, uso prolongado de corticoides, imunossupressão, dor noturna persistente ou fraqueza que piora. Retenção urinária, perda involuntária de urina ou fezes, dormência na região íntima e fraqueza progressiva nas pernas podem indicar síndrome da cauda equina, uma condição rara, mas urgente.
Também é bom lembrar que nem toda dor percebida na lombar nasce na coluna. Problemas renais, vasculares, ginecológicos ou abdominais podem causar dor nessa região, especialmente quando ela não muda com movimentos ou posturas. Durante a consulta, o objetivo é verificar se um movimento ou uma manobra reproduz exatamente a dor que a pessoa já conhece, e não apenas algum desconforto passageiro do exame.
Em resumo, a dor lombar não deve ser ignorada, mas também não precisa ser associada de imediato a uma coluna “gasta”, a uma hérnia grave ou à necessidade de cirurgia. Uma boa avaliação procura saber onde dói, como a dor se comporta, se há sinais neurológicos e se existe algum alerta. A imagem, quando indicada, completa essa investigação; ela não substitui a conversa e o exame clínico.
E não se esqueça que “a dor pode ser inevitável, mas o sofrimento é opcional” e depende de você querer mudar isso!
Neurologista Dr. Diego Dozza
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