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Neurologista Dr. Diego Dozza: Dor crônica -quando a dor deixa de ser um alerta e passa a ser uma doença

A dor é um sinal de defesa do corpo. Em geral, ela aparece para avisar que algo está errado, como uma inflamação, uma lesão ou uma doença. Mas nem sempre esse sinal se desliga quando o problema inicial melhora. Quando a dor persiste por mais de três meses, ela passa a ser chamada de dor crônica.

Nesse estágio, a dor deixa de ser apenas um sintoma e pode se transformar em uma doença em si. Ela afeta o sono, o humor, a disposição, a capacidade de trabalhar e a convivência social. Por isso, seu impacto vai muito além do desconforto físico.

Existem diferentes tipos de dor crônica. Algumas surgem por lesão em músculos, articulações ou outros tecidos. Outras decorrem de alteração nos nervos. Há também situações em que o próprio sistema nervoso passa a processar a dor de forma anormal, tornando o organismo mais sensível. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas continuam sentindo dor mesmo quando os exames não mostram uma lesão importante.

O tratamento da dor crônica raramente depende de uma única medida. Em muitos casos, é preciso combinar medicamentos, reabilitação física, mudanças de hábito, suporte emocional e, em situações selecionadas, procedimentos intervencionistas. Em casos mais complexos, também podem ser indicadas técnicas avançadas de neuromodulação.

Nos últimos anos, a medicina regenerativa ganhou espaço nesse cenário. De forma simples, ela reúne estratégias que tentam favorecer o reparo do tecido lesionado e reduzir processos inflamatórios persistentes, criando um ambiente biológico mais favorável à recuperação.

Dentro dessa área, uma expressão importante é “células medicinais sinalizadoras”. Esse termo tem sido usado para destacar que o principal papel dessas células não é “virar” outro tecido magicamente, mas sim enviar sinais biológicos para o organismo (ação parácrina). Em outras palavras, elas funcionam como pequenas “mensageiras”: liberam substâncias que ajudam a organizar a resposta inflamatória, recrutam mecanismos de reparo e podem contribuir para melhorar o funcionamento do tecido doente.

Isso é especialmente discutido em doenças degenerativas, como a artrose do joelho, e em alguns quadros dolorosos do aparelho musculoesquelético. Os estudos mostram resultados promissores em parte dos pacientes, com melhora de dor e função. Mas é importante dizer a verdade com clareza: a evidência ainda não é uniforme, os protocolos variam bastante entre os estudos, e nem todo paciente terá o mesmo resultado.

Por isso, a medicina regenerativa não deve ser apresentada como cura garantida. Ela é uma ferramenta em evolução, que pode ter papel relevante quando bem indicada, dentro de uma avaliação médica séria, com diagnóstico correto e expectativa realista.

A mensagem principal é simples: dor crônica tem tratamento. E quanto mais cedo ela for avaliada de forma adequada, maiores são as chances de controlar o problema, recuperar a função e melhorar a qualidade de vida. Por isso não esqueça que a “dor pode ser inevitável, mas o sofrimento é opcional” e só depende de você querer melhorar! Forte abraço.

Neurologista Dr. Diego Dozza

Local de atendimento:

Passo Fundo – Rua Teixeira Soares 1117, sala 501, tel (54) 3622-2989/3622-2990

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