Núcleo de Meteorologia da Univates prevê inverno com mais chuva e temperaturas acima da média no Vale do Taquari
O conjunto dos modelos analisados converge para um cenário de inverno marcado pela influência do El Niño
O inverno de 2026 começou oficialmente no último dia 21 de junho, às 5h24min, e deve apresentar características diferentes daquelas tradicionalmente associadas à estação mais fria do ano. Embora episódios de frio intenso, geadas e a atuação de massas de ar polar continuem previstos para os próximos meses, a tendência climática aponta para um inverno mais quente e mais chuvoso que o habitual no Vale do Taquari e em grande parte do Rio Grande do Sul.
A previsão foi elaborada pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas – NIH da Universidade do Vale do Taquari – Univates a partir de modelos meteorológicos nacionais e internacionais e de análises das condições oceânicas e atmosféricas que influenciam o clima na América do Sul.
Embora as previsões sazonais indiquem tendências climáticas, os pesquisadores ressaltam que elas não determinam exatamente como será o comportamento do tempo em cada dia. Eventos de frio intenso, ondas de calor, temporais e períodos de estiagem de curta duração continuam sendo possíveis ao longo da estação.
Ainda assim, o conjunto dos modelos analisados converge para um cenário de inverno marcado pela influência do El Niño, com maior disponibilidade de chuva e temperaturas médias acima da climatologia, características que deverão acompanhar o Vale do Taquari até o início da primavera, em 22 de setembro.
Influência do El Niño
O NIH destaca, em boletim, que o principal fator responsável pelo cenário previsto é o estabelecimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo as análises mais recentes do Climate Prediction Center (CPC), da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o aquecimento das águas superficiais do Pacífico já atingiu intensidade suficiente para caracterizar oficialmente o fenômeno. As projeções indicam, inclusive, que o El Niño deverá se fortalecer gradualmente ao longo dos próximos meses, permanecendo ativo durante todo o inverno e avançando pela primavera. Existe, ainda, probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte entre o final de 2026 e o início de 2027.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados ao aumento das chuvas na Região Sul do Brasil e à predominância de temperaturas acima da média climatológica. Por isso, a expectativa dos meteorologistas é de que o Vale do Taquari experimente um inverno marcado por maior frequência de precipitações e períodos de aquecimento entre as incursões de ar frio.
O frio
Apesar da tendência de temperaturas mais elevadas, o Núcleo de Meteorologia da Univates ressalta que isso não significa ausência de frio. O inverno continuará sendo caracterizado pela passagem de frentes frias e massas de ar polar capazes de provocar quedas acentuadas na temperatura, formação de geadas e, em áreas de maior altitude e baixadas, registros próximos ou até inferiores a 0°C. A diferença em relação a anos sob influência de outros padrões climáticos está na menor persistência desses episódios, que deverão ser rapidamente substituídos por períodos de aquecimento.
A alternância entre dias muito frios e intervalos relativamente quentes é uma das características típicas do inverno gaúcho, mas deverá ocorrer de forma ainda mais evidente nesta estação. Também permanecem frequentes fenômenos como nevoeiros e neblinas durante as primeiras horas da manhã, favorecidos pelo resfriamento noturno e pela elevada umidade relativa do ar, além da atuação de ciclones extratropicais responsáveis pelo aumento da intensidade dos ventos e pela formação de sistemas de chuva sobre o Estado.
Chuva
As projeções indicam elevada probabilidade de precipitação acima da média durante os três meses da estação. Para julho e agosto, os modelos climáticos apontam entre 40% e 50% de probabilidade de volumes superiores aos padrões históricos. Em setembro, esse sinal torna-se ainda mais intenso, alcançando probabilidades entre 50% e 60% de ocorrência de chuvas acima da climatologia.
Embora o total de precipitação deva superar a média histórica, os meteorologistas alertam que a distribuição da chuva continuará irregular. Em vez de precipitações constantes ao longo das semanas, a tendência é que grandes acumulados ocorram durante a passagem de frentes frias, cavados atmosféricos e ciclones extratropicais, sistemas capazes de produzir episódios de chuva persistente e, em alguns casos, elevados volumes concentrados em curtos intervalos de tempo.
Potenciais impactos
A característica exige atenção especial das autoridades e da população, sobretudo considerando o histórico recente do Vale do Taquari. Segundo o boletim elaborado pelo NIH, a combinação entre precipitações acima da média e eventos concentrados pode favorecer a elevação dos níveis dos rios, alagamentos urbanos e a ocorrência de cheias, especialmente durante setembro, que climatologicamente já figura entre os meses mais chuvosos do ano na região.
Temperatura
No que diz respeito às temperaturas, o cenário também apresenta predominância de valores superiores aos registros médios históricos. Os modelos utilizados pelo Núcleo de Informações Hidrometeorológicas indicam entre 50% e 60% de probabilidade de temperaturas acima da média em julho e agosto. Para setembro, embora essa probabilidade diminua ligeiramente, permanece entre 40% e 50%, mantendo a expectativa de um trimestre mais quente do que normalmente se observa durante o inverno.
Como funciona a previsão do tempo do NIH?
A previsão do tempo é organizada a partir da compilação das informações disponíveis em diferentes portais de clima e tempo, além do acompanhamento de variáveis meteorológicas registradas pela estação meteorológica da Univates, em Lajeado, e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para isso, o setor consulta as mais variadas fontes, como: imagens do satélite meteorológico GOES 16 e modelos numéricos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), imagens de radar meteorológico divulgadas pela Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (Redemet), mapas de previsão do tempo do National Centers for Environmental Prediction (NCEP/NOAA) e do Windy.
O NIH
O Núcleo atua nas áreas de meteorologia e hidrologia. Suas atividades consistem no monitoramento de elementos meteorológicos e hidrológicos, elaboração da previsão do tempo e transmissão dessas informações para veículos de comunicação da região. O NIH também acompanha alertas meteorológicos e hidrometeorológicos emitidos pelos sites do Inmet, Inpe e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Além disso, as variáveis meteorológicas obtidas pela estação meteorológica instalada no campus da Univates, em Lajeado, formam um banco de dados de mais de 20 anos, que pode ser utilizado tanto pelo público acadêmico quanto pelo privado.
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Texto: Redação Univates
Imagens:
1) Imagem ilustrativa para o inverno – Crédito – Lucas George Wendt – Unsplash