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Velhos e novos tempos – Jornalista Gilberto Jasper

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         “Tudo que você falar será usado contra você!”

         A frase é comum em filmes policiais e ambientadas em escri-tórios de advocacia. “Roubei” a expressão para lembrar que é preciso muito cuidado com o que falamos aos filhos. Antes de contar o que você –leitor e leitora – fazia “nos bons tempos”, lembre-se que a gurizada tem memória de elefante. Quando convém, é claro.

         Lembrei da expressão de abertura desta crônica ao presenciar um papo sobre a escolha da profissão dos filhos. Provoquei risos ao recordar um episódio vivenciado com a minha filha, Laura.

         Ela optou pelo Direito, chegando a cumprir vários estágios. Há pouco mais de um ano da formatura, ela resolveu dar uma guinada na vida universitária, me chamou e disparou:

         – Pai, larguei o Direito. Vou cursar Pedagogia!

         Minha reação foi de surpresa, estupefação e preocupação. Ser professor exige paciência e força de vontade. Diante da minha cara de panaca, Laura puxou da memória uma cena do meu passado.

         – Lembra quando tu contou que tu fez duas vezes o concurso do Banco do Brasil pra agradar o vô? Tu contou que as questões que tu tinha certeza da resposta correta tu marcou a opção errada porque odiava a ideia de ser bancário. Eu quero uma profissão pra gostar!

         Tive que dar razão para a guria que hoje trabalha com autistas e é o orgulho do pai babão.

         Antigamente, antes da internet, a única certeza de aprovação no vestibular eram os listões que podiam ser acessados de duas maneiras: indo até a universidade pretendida ou comprando edições de jornais da época que encartavam suplementos com a relação dos felizardos.

         Quando fui aprovado na Unisinos, ao ostentar o listão para o meu pai, que preparava um churrasco em Tramandaí, o velho Giba vibrou. Aos berros, chamou a atenção da família e amigos presentes.

         – Atenção, pessoal! Uma salva de palmas para o primeiro advogado da família!

         Ao informar que o curso escolhido era de Jornalismo, ele ficou furioso:

         – Se tu passar fome não aparece aqui em casa! – detonou.

         Ele era empresário, mas anos depois, tornou-se colunista de jornal e comentarista político de rádio. Eu ria sozinho, mas nunca tive coragem de cobrar coerência dele. Naquela época, a gente respeitava os pais e as pessoas mais velhos.

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