Neurologista Dr. Diego Dozza: ‘Dor nas costas e Hérnia de Disco: O que você precisa saber para proteger sua coluna’
Você já parou para pensar em como a nossa coluna suporta o peso do corpo e, ao mesmo tempo, nos permite realizar tantos movimentos? O segredo para essa flexibilidade e resistência está em uma estrutura fundamental: o disco intervertebral.
Para entender melhor, imagine que a nossa coluna é como uma pilha de blocos de osso (as vértebras). Entre cada um desses blocos, existe um “amortecedor” natural, que é o disco. Ele é formado por duas partes principais: um anel externo mais rígido (chamado de anel fibroso) e um centro gelatinoso e macio (o núcleo pulposo).
A principal função desse disco é puramente mecânica. Ele absorve o impacto do nosso peso e permite que a gente consiga dobrar o corpo para frente, para os lados e suportar compressões. Já os movimentos de girar ou esticar as costas para trás são tarefas das articulações da própria coluna.
O desgaste natural: por que o disco “murcha”?
Aquele centro gelatinoso do disco é composto por quase 80% de água. Porém, com o passar do tempo, ocorre um processo de envelhecimento e desgaste que chamamos de degeneração. Esse processo é gradual e acontece por vários motivos: fatores genéticos, sobrecarga mecânica ao longo da vida e até a diminuição dos nutrientes que chegam a essa região.
Conforme esse desgaste avança, o disco perde sua capacidade de reter água e, literalmente, “murcha”. É como uma esponja que vai secando. Esse ressecamento desencadeia um efeito dominó na coluna: o disco fica mais achatado, a coluna perde um pouco de sua estabilidade e a carga do corpo passa a forçar o anel externo do disco e as outras articulações.
Para tentar compensar essa instabilidade, os músculos e ligamentos das costas passam a trabalhar dobrado. Com o tempo, o corpo tenta estabilizar a área criando ossos extras, os famosos “bicos de papagaio” (osteófitos). Os ligamentos também engrossam e as articulações sofrem com a artrose, o que pode acabar estreitando o espaço por onde passam os nervos (condição chamada de estenose).
Como surge a Hérnia de Disco?
Como esse ressecamento do disco é progressivo, os pequenos traumas e esforços repetitivos do dia a dia começam a causar pequenas fissuras (rachaduras) no anel externo do disco. Se essas rachaduras aumentarem, aquele gel que fica no centro pode escapar ou vazar. É exatamente a esse vazamento que damos o nome de hérnia de disco.
Quando esse gel escapa, ele acaba comprimindo e inflamando os nervos que passam ali perto, gerando uma dor que costuma irradiar para os braços ou pernas. O exemplo mais clássico é a dor ciática: uma pontada forte que começa no final da coluna lombar e desce pela perna, muitas vezes chegando até o pé. Esse mesmo problema pode ocorrer na região do pescoço (cervical), fazendo a dor irradiar para os braços e mãos.
A hérnia de disco é uma das principais causas de dor lombar no mundo. E, acredite, você não está sozinho nessa: estima-se que 70% a 80% das pessoas terão algum episódio de dor nas costas ao longo da vida. É uma condição que gera bastante desconforto, limita as atividades diárias e é uma das maiores causas de afastamento do trabalho.
A excelente notícia é que a grande maioria dos casos tem solução sem a necessidade de cirurgia. O tratamento inicial deve focar em fisioterapia, uso de medicamentos (analgésicos e anti-inflamatórios) para controle da dor e, muito importante, mudanças no estilo de vida, como a perda de peso e o abandono do cigarro.
Geralmente, pedimos que o paciente mantenha esse tratamento clínico por, pelo menos, três meses. Nesse período, cerca de 90% das pessoas já sentem uma melhora significativa e retomam sua qualidade de vida.
Quando a dor persiste e o tratamento inicial falha, a medicina moderna oferece opções de intervenção. Elas vão desde procedimentos minimamente invasivos — como infiltrações e bloqueios da dor — até, em casos mais específicos, a cirurgia para fixação ou descompressão da coluna.
Mas, independentemente do tratamento escolhido, deixo aqui um conselho que sempre repito aos meus pacientes: os exercícios de reforço muscular nunca devem ser abandonados! Uma musculatura forte é o melhor abraço de proteção que a sua coluna pode receber.
Neurologista Dr. Diego Dozza
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