• 18 de maio de 2024

Brasil: Eterno país do futuro?

 Brasil: Eterno país do futuro?

Gerson Luís Batistella

Desde crianças, ainda na época do início da fase estudantil, ouvíamos a frase de que o Brasil é o país do futuro.

Muitos anos se passaram e continuamos a depositar nossas esperanças de que, nosso país, não seja um eterno desejo de futuro, mas que ele seja uma realidade no presente. Há muitos anos, acreditamos e confiamos, eleições após eleições, sejam no âmbito municipal, estadual ou federal, o desejo de dias melhores, prosperidade, bem-estar social e que a sociedade passe para outro patamar, de conhecimento, de crescimento e de plena prosperidade.

O Brasil tem dois grandes problemas que não se resolvem: a melhoria da educação e o efetivo crescimento econômico, com a consequente redistribuição de renda e promoção da sua população às condições dignas de vida.

A educação, cujos resultados se medem pelo processo de conhecimento, da diminuição dos índices de analfabetismo funcional, da melhoria nos índices de avaliação dos níveis de ensino, na rápida e fácil colocação em empregos e iniciativas empreendedoras, ainda está longe de se concretizar. Qual o problema, uma vez que não faltam recursos financeiros? Gestão, inovação, profissionalização e qualificação dos atores envolvidos, mas, fundamentalmente, o comprometimento efetivo das lideranças políticas e dos gestores de todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal).

O crescimento econômico tem sido marcado por movimentos a conta gotas, intercalados por turbulências na seara política, a ocorrência da pandemia e sua retração econômica mundial, o aumento dos insumos necessários em patamares superiores à capacidade de absorção de custos no processo produtivo, dentre tantos outros motivos. Não temos um crescimento sustentável, duradouro e com perspectiva que permita o planejamento de longo prazo.

As desigualdades econômicas e sociais são latentes, temos uma pequena parcela da população com renda significativa, que lhe viabiliza o acesso a muitas oportunidades, do consumo ao aumento patrimonial, ao passo que temos uma grande parcela da população a mercê de poucas condições financeiras, muitas vezes para a aquisição do básico à sobrevivência humana, são realidades muito paradoxais.

Assim, a reflexão reside no planejamento acerca da equalização de tais mazelas. Não existe solução simples, como o apertar botões e isso não se resolve em curto espaço de tempo. São necessários investimentos financeiros e de fomento a uma nova cultura, do conhecimento, da percepção de equidade, de políticas públicas que caminhem ao encontro de tais necessidades.

Infere-se que, alterar a cultura política calcada no fisiologismo, na troca de recursos públicos por votos em pautas que deveriam ser decorrentes da conscientização da efetiva resolução de necessidades inerentes aos interesses do país, é premissa substancial nesse processo. Não há mais espaço para o modelo de barganha, por votos, por recursos, por emendas parlamentares, impositivas ou não, como preceito de normalidade, condicionantes numa fase posterior, à manutenção do sistema de manutenção de lideranças políticas e cooptação de votos junto aos municípios privilegiados com o repasse de tais recursos.

O Brasil dará uma guinada em seu destino à medida que repensemos o atual modelo, que não normalizemos situações que não devem ser normalizadas, quando a sociedade substituir a visão “umbiguista”, qual seja, a resolução do seu problema individual, em que pese a necessidade de resolução de questões coletivas, quando os investimentos financeiros em educação forem acompanhados de mudanças efetivas no processo do ensino-aprendizagem, na valorização dos profissionais, na alocação de recursos de todos os níveis.

Assim, crescimento econômico, geração de emprego e renda, redistribuição e redução de desigualdades econômico-sociais, passam pela educação, pela escolarização efetiva da população. Não há espaço para a manutenção de modelos assistencialistas e que criem dependências de pessoas a políticos ou a governos. Precisamos evoluir, mas para isso, precisamos sair do mero discurso e adotar, efetivamente, ações nesse sentido. O Brasil, hoje, ainda é o país do futuro. Até quando ouviremos essa frase?

Gerson Luís Batistella. Administrador, professor da disciplina de Gestão Pública da URI – Frederico Westphalen, Professor Instrutor da Escola Superior de Gestão e Controle do Tribunal de Contas do Estado RS (TCE-RS). Auditor de Controle Externo e Coordenador Regional do TCE/RS em Frederico Westphalen.

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